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           17nov

       

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Estou aqui a pensar que os professores são como livros.
-Como livros?
-Sim. Ora repara: tal como os livros, têm uma mensagem a passar. Às vezes, quando estão a contar a sua história, entusiasmam-se tanto que saltam umas páginas; outras vezes, voltam atrás – e voltam atrás muitas vezes – para terem a certeza de que os alunos estão a acompanhar a história que contam.
-Então os professores são contadores de histórias?
-Claro, tal como os livros. Guardam em si ensinamentos e querem transmiti-los. Sublinham as partes mais importantes e repetem palavras, que sabem de cor, porque há coisas na vida e nos livros que não podemos esquecer.
-Mas alguns livros têm desenhos e o professor não.
-O professor ilustra a sua história com exemplos. Com recordações, com experiências de vida, com segredos e revelações, com sorrisos e gargalhadas, com sonhos e conselhos. Os exemplos não só dão cor à história, como vida.
-E quando a história chega ao fim?
-Tal como o livro contará a história a outros leitores, o professor voltará a contá-la a outros alunos.
-E não se cansa?
-Claro que não. Quanto mais for lido um livro, mais ele vive. Assim as histórias que o professor conta são a sua vida e a sua razão de viver. Às vezes, quando um livro é lido muitas vezes, as folhas ficam dobradas e a capa desprende-se das folhas e até as folhas se vão soltando. Deixa de ser só um livro para ser um tesouro, cuja riqueza foi aumentando à medida que as suas páginas foram folheadas e lidas e à medida que encheu o coração dos leitores de emoções e memórias. Com os professores velhinhos, também acontece o mesmo. Tornam-se páginas das histórias que ajudaram a escrever, as dos seus alunos. As páginas soltam-se apenas para que cada um dos seus alunos possa guardar a sua e, por isso, o professor nunca morre. A sua história está espalhada por muitos corações e haverá sempre, em cada um, palavras suas.

Por : Elisabete Bárbara, autora da página "lado.a.lado"